Crioterapia, utilização de gelo em lesões!

CRIOTERAPIA, VOCÊ FAZ?

crioterapia 

            Todo corredor de rua amador já passou ou vai passar por um momento em que reflete se deve continuar ou parar. Eu também já tive esse momento.

            Não fiz uma preparação adequada para a minha primeira maratona. Arrastei-me no último quarto de prova, e as dores me acompanharam nos meses seguintes. Comecei a sentir uma leve dor no joelho esquerdo; como estava próximo ao final do ano, não dei muita importância. No início de 2012, vim fazer uma prova no lago de Cascavel, terminei mancando.

            Comecei então um tratamento com anti-inflamatórios. Fiquei um mês sem correr. Voltei correndo devagar, fui aumentando aos poucos e, quando fui correr outra prova novamente, o joelho reclamou. Pensei em parar, mas foi um pensamento momentâneo. Decidi continuar correndo, mas sem forçar tanto. Em 1º de maio de 2012, terminei a corrida da PM no sacrifício. Senti vontade de chorar. Naquele momento, o apoio dos amigos da Acorrefoz foi fundamental.

            Já ouvira muito falar sobre tratamentos com gelo (crioterapia), porém nunca coloquei muita fé. Como fizera quase tudo sem resultado, resolvi tentar. Fiquei quase um mês sem correr, aplicando gelo por meia-hora todos os dias. Voltei a disputar provas, voltei a correr forte. Meu joelho nunca mais me incomodou.

            Lá se vai mais de um ano sem sentir uma dorzinha sequer no joelho esquerdo. O gelo tornou-se meu grande companheiro. Hoje, por precaução, depois de todo treino longo, aplico gelo nas pernas. A recuperação é incrível, sinto-me muito mais disposto depois do gelo.

            Muitos atletas utilizam a técnica de imersão em piscina gelada após muito esforço físico. Isso reduz significativamente o número de lesões.

            Alguns especialistas afirmam que o gelo sozinho não é capaz de curar nenhuma lesão. Bom, eu não uso remédio algum há mais de um ano e não sinto dor alguma.Tudo o que preciso é de algumas pedras de gelo, um saquinho e uma toalha. Simples e eficaz!

Texto enviado pelo atleta Sidclei Nagasawa Costa.

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Dráuzio Varella, corredor de maratonas.

Olá, a revista Runners Brasil publicou essa semana uma entrevista com o Dr Dráuzilo Varella onde ele contou sobre sua vida de corredor de rua, maratonista para dizer a verdade não conhecia esse lado do Dr.Dráuzio.

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Drauzio Varella
68 anos
médico

Quando eu estava prestes a completar 50 anos, um amigo me disse que naquela idade começava a decadência. Então resolvi fazer alguma coisa legal para comemorar a data e tive a ideia de fazer uma maratona. Já comecei a correr pensando nos 42 km.

Pouco tempo depois, outro amigo me passou um programa de treinos e fui seguindo como podia. No fim daquele ano, corri a Maratona de Nova York em 4h01. Isso foi em 1993, e desde então já participei dessa prova mais umas sete ou oito vezes. Também já corri em Chicago, Berlim e Joinville — meu melhor tempo é de 3h38, em 1994, em Nova York.

A maratona é minha distância preferida. Ninguém corre 42 km sem estar preparado, todo mundo ali sabe o que está fazendo, então existe muito mais respeito. Já participei de alguns revezamentos e provas menores, mas não gostei. Também fiz a São Silvestre e detestei, achei uma bagunça.

Treino duas vezes por semana no Parque do Ibirapuera e nos fins de semana procuro correr no Minhocão ou no centro da cidade. Aí vario os trajetos: passeio pela praça da Sé, largo de São Bento, Mercado Municipal. Cada treino varia entre 15 e 25 km, depende de quanto tempo tenho.

Também subo os 16 andares do meu prédio duas vezes por semana. Vou pelas escadas e desço pelo elevador, onde aproveito para ir me alongando. Repito isso entre oito e dez vezes. É puxado, mas me dá um fôlego danado e com certeza me ajuda a correr melhor.

Se as pessoas fizessem mais exercício, ficar parado seria menos penoso para o corpo. Quando você é sedentário, você se levanta e logo tem que se sentar de novo — e aquilo não te descansa. Quando você corre bastante e senta, é uma sensação muito boa.

Sempre levo meu tênis quando vou viajar. Tem coisa mais gostosa do em um dia de congresso você se levantar cedinho para treinar? Corro 2 horas e depois passo o resto dia sentado, sem culpa, ouvindo as pessoas falarem sobre os assuntos de que eu mais gosto. É uma delícia.

Para mim, a corrida é um antidepressivo maravilhoso. Sou muito agitado, faço muitas coisas e a corrida também me ajuda a relaxar. É o momento em que fico em contato comigo mesmo, vejo minhas limitações, e isso me deixa mais com o pé no chão. Por isso não corro ouvindo música e prefiro treinar sozinho.

No ano passado, fiz a Maratona de Berlim em 4h12. Depois pensei que se tivesse feito 2 minutos a menos teria me qualificado para Boston. Não quero estabelecer essa meta porque tenho medo de me frustrar, mas, se este ano eu conseguir fazer uma maratona em menos de 4h10, posso comemorar os 70 anos correndo em Boston.

Não tenho nenhum cuidado especial com alimentação. Antes do treino, bebo uma água de coco ou como uma fruta. Depois tomo café com leite e como pão, azeite e tomate. Não estou convencido de que existe um benefício real nesses géis e vitaminas, aminoácidos. Durante a maratona só bebo água, não tomo nem isotônico. Como cortei açúcar da minha alimentação há 34 anos, tenho medo de ficar enjoado e passar mal.

O exercício só é bom quando ele termina. Durante, é sofrimento. Às vezes você até libera uma endorfina no meio e dá uma sensação boa, mas o prazer mesmo vem quando você acaba.

Quem faz atividade física tem um envelhecimento muito mais saudável. Tenho quase 70 e não tomo nenhum remédio, peso 3 kg a mais do que na época da faculdade. As pessoas dizem: “Você é magro, hein? Que sorte!” Não é sorte, tenho que suar a camisa todos os dias.

Eu corro porque estou convencido de que o exercício físico é contra a natureza humana. Precisamos combater essa inércia. Nenhum animal desperdiça energia, ele gasta sua força para ir atrás de comida e de sexo ou para fugir de um predador. Com essas três necessidades satisfeitas, ele deita e fica quieto. Vá a um zoológico para ver se você encontra uma onça correndo à toa. Ou um gorila se exercitando na barra. Por isso é tão difícil para a maioria das pessoas fazer atividades físicas.

Um exemplo disso são meus pacientes. A grande maioria são mulheres com câncer de mama. Muitas passam por quimioterapia, perdem o cabelo, têm enjoos, fazem cirurgia para retirar parte do seio. E enfrentam esse processo com tanta coragem que fico até emocionado. Depois disso tudo, falo para elas que, se caminharem 40 minutos por dia, cortam pela metade a chance de morrer de câncer de mama. Esse índice é maior do que o da quimio, mas menos de 1% das minhas pacientes começam a fazer exercício. Vai contra a natureza humana.

Muita gente fala que não tem tempo de fazer exercícios. Dizem que acordam muito cedo para levar os filhos à escola, que trabalham demais, que têm que cuidar da casa. Antes eu até ficava com compaixão, mas hoje eu digo: isso é problema seu. Ninguém vai resolver esse problema para você.

Você acha que eu tenho vontade de levantar cedo para correr? Não tenho, mas encaro como um trabalho. Se seu chefe disser que a empresa vai começar um projeto novo e precisa que você esteja lá às 5h30, você vai estar lá. Você vai se virar, mudar sua rotina e dar um jeito. Por que com exercício não pode ser assim?

Nós temos a tendência de jogar a responsabilidade sobre a nossa saúde nos outros. Em Deus, na cidade, na poluição, no trânsito, no estresse. Cada um de nós tem que se responsabilizar pelo próprio bem-estar e encontrar tempo para cuidar do corpo. É uma questão de prioridades.

Se você não consegue fazer exercício de jeito nenhum, pelo menos tem que ter consciência de que está vivendo errado, que não está levando em consideração a coisa mais importante que você tem, que é o seu corpo.

“Este ano pretendo correr as maratonas do Rio e de Chicago. Se fizer abaixo de 4h10, me qualifico para Boston”

Drauzio Varella é oncologista e já publicou 11 livros, entre eles Estação Carandiru.

Revista Runner´s – Brasil

 

Publicado por Lizanka Marinheiro e Wallace Machado